Solstício
Uma vez você me perguntou por que eu nunca te escrevo nada
Mas o pior é que eu escrevo, só não mostro ou não falo
Eu sempre soube que esta hora iria chegar
Que você iria se cansar e deixar morrer a sua estranha
obsessão por mim
Talvez só nunca fosse amor e eu soubesse que no fim
Ficaria aqui só
Só eu e meus cadernos
O mais triste de tudo é que eu nunca menti para você
E você só ousou falar a verdade
E mesmo a equivalência não existindo e a dor não se medindo
É fato consumado: a gente é feito pra acabar
Aos amigos, de antemão peço paciência
Peço clemência por não saber falar outra coisa a não ser o
seu nome
Por chorar em todos os bares da cidade
E esquecer a hora, compromissos e toda a vontade de viver
(Vou querer morrer todo dia sacro)
E no fim
Eu estarei aqui
À mercê dos mais profundos invernos
Só eu
Eu e meus cadernos
A saudade
E mais nada a declarar.
.
(Romulo Chaul)

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