24 de jul. de 2026

Poema


 

Sacrossanto

 

Gabriela não chegou de mansinho, não

Assim como trovão, chegou se anunciando

Batendo o pé na porta e se instalando em meu colchão

Rindo da minha cara quando questionei:

Isso vai longe?

Ela nem respondeu, apenas disse: Pobre de ti!

Lançando um reboliço em minha vida e

Aumentando tudo: amor, gatos e cinzas pelo chão

 

Gabriela não chegou de mansinho, não

Chegou como quem chega sabendo onde quer chegar

Trouxe seu caos e a desordem de seu armário

Trouxe cuidado, malvadeza e até o seu shampoo favorito

Trouxe tudo que mais admiro

Inteligência, parceria, lealdade e um tanto de faniquito

Chegou já sabendo que ia ficar

 

Eu já nem lembro como era a vida antes

Só sei que não tinha tanta graça

Tinha mesmo era farsa e muito pouca emoção

Gabriela não chegou de mansinho, não

Mas depois que chegou

Eu rogo a todos os céus e deuses

Peço que todos os infernos me deixem

Peço todo dia para que ela queira continuar

 

Seu amor me tirou do eixo

Mas me apontou o Norte

E eu nem acredito na minha sorte

Da Grabriela me amar.

 

(Romulo Chaul)