24 de jul. de 2026

Poema


 

Sacrossanto

 

Gabriela não chegou de mansinho, não

Assim como trovão, chegou se anunciando

Batendo o pé na porta e se instalando em meu colchão

Rindo da minha cara quando questionei:

Isso vai longe?

Ela nem respondeu, apenas disse: Pobre de ti!

Lançando um reboliço em minha vida e

Aumentando tudo: amor, gatos e cinzas pelo chão

 

Gabriela não chegou de mansinho, não

Chegou como quem chega sabendo onde quer chegar

Trouxe seu caos e a desordem de seu armário

Trouxe cuidado, malvadeza e até o seu shampoo favorito

Trouxe tudo que mais admiro

Inteligência, parceria, lealdade e um tanto de faniquito

Chegou já sabendo que ia ficar

 

Eu já nem lembro como era a vida antes

Só sei que não tinha tanta graça

Tinha mesmo era farsa e muito pouca emoção

Gabriela não chegou de mansinho, não

Mas depois que chegou

Eu rogo a todos os céus e deuses

Peço que todos os infernos me deixem

Peço todo dia para que ela queira continuar

 

Seu amor me tirou do eixo

Mas me apontou o Norte

E eu nem acredito na minha sorte

Da Grabriela me amar.

(Romulo Chaul)

24 de jun. de 2026

Poema

 



Solstício

 

Uma vez você me perguntou por que eu nunca te escrevo nada

Mas o pior é que eu escrevo, só não mostro ou não falo

Eu sempre soube que esta hora iria chegar

Que você iria se cansar e deixar morrer a sua estranha obsessão por mim

Talvez só nunca fosse amor e eu soubesse que no fim

Ficaria aqui só

Só eu e meus cadernos

 

O mais triste de tudo é que eu nunca menti para você

E você só ousou falar a verdade

E mesmo a equivalência não existindo e a dor não se medindo

É fato consumado: a gente é feito pra acabar

 

Aos amigos, de antemão peço paciência

Peço clemência por não saber falar outra coisa a não ser o seu nome

Por chorar em todos os bares da cidade

E esquecer a hora, compromissos e toda a vontade de viver

(Vou querer morrer todo dia sacro)

 

E no fim

Eu estarei aqui

À mercê dos mais profundos invernos

Só eu

Eu e meus cadernos

A saudade

E mais nada a declarar.

.

(Romulo Chaul)

25 de mar. de 2026

Poema

 




Rebordose

 

Talvez a gente esteja fadado ao fracasso mesmo

E nesse mirando a esmo, eu sinto a gente esfarelar

Uma indecisão danada, sempre essa meia toada

No nosso caminhar

E ela sempre de tabela, fingindo não se importar

 

- Eu nunca amei ninguém assim

 

Já passou raiva, já passou ameaça

Já disse que tudo tinha perdido a graça

(Vale acrescentar)

Vale acrescentar que sempre tem um eu te amo enrustido

Sempre tem um me tire o vestido

Em uma quarta qualquer

 

Quando passa a ressaca

Quando passa a dose

Quando passa a rebordose

E a indecisão

 

- Às vezes volta o ar

 

Mas vira e mexe a poesia adoece

E morre de tédio no seu colchão

Tudo late mais alto, até o amor jurado

Quando se mente emoção

 

- Eu provavelmente vou te abandonar

.

(Romulo Chaul)