24 de jun. de 2026

Poema

 



Solstício

 

Uma vez você me perguntou por que eu nunca te escrevo nada

Mas o pior é que eu escrevo, só não mostro ou não falo

Eu sempre soube que esta hora iria chegar

Que você iria se cansar e deixar morrer a sua estranha obsessão por mim

Talvez só nunca fosse amor e eu soubesse que no fim

Ficaria aqui só

Só eu e meus cadernos

 

O mais triste de tudo é que eu nunca menti para você

E você só ousou falar a verdade

E mesmo a equivalência não existindo e a dor não se medindo

É fato consumado: a gente é feito pra acabar

 

Aos amigos, de antemão peço paciência

Peço clemência por não saber falar outra coisa a não ser o seu nome

Por chorar em todos os bares da cidade

E esquecer a hora, compromissos e toda a vontade de viver

(Vou querer morrer todo dia sacro)

 

E no fim

Eu estarei aqui

À mercê dos mais profundos invernos

Só eu

Eu e meus cadernos

A saudade

E mais nada a declarar.

.

(Romulo Chaul)

25 de mar. de 2026

Poema

 




Rebordose

 

Talvez a gente esteja fadado ao fracasso mesmo

E nesse mirando a esmo, eu sinto a gente esfarelar

Uma indecisão danada, sempre essa meia toada

No nosso caminhar

E ela sempre de tabela, fingindo não se importar

 

- Eu nunca amei ninguém assim

 

Já passou raiva, já passou ameaça

Já disse que tudo tinha perdido a graça

(Vale acrescentar)

Vale acrescentar que sempre tem um eu te amo enrustido

Sempre tem um me tire o vestido

Em uma quarta qualquer

 

Quando passa a ressaca

Quando passa a dose

Quando passa a rebordose

E a indecisão

 

- Às vezes volta o ar

 

Mas vira e mexe a poesia adoece

E morre de tédio no seu colchão

Tudo late mais alto, até o amor jurado

Quando se mente emoção

 

- Eu provavelmente vou te abandonar

.

(Romulo Chaul)